segunda-feira, 29 de outubro de 2012
do lado de lá
Exigi que a realidade fosse encarada
Perguntei se tinha algo a me falar
Algo que eu deveria escutar.
E você se manteve em silêncio
Frente a mim, aos seus atos, o que anseio
Agora eu me pergunto, para onde isso te levou?
Pois cá estamos nós, magoados pela conversa que não tivemos.
sábado, 3 de dezembro de 2011
desordem num passar de vida

Enquanto menina carrego preocupações sobre o futuro, faço planos e me perco neles como em busca de um caminho melhor para o traçado. Enxergo falta de perspectiva em dias não planejados e percebo a insegurança quando lágrimas caem sob ombros alheios em dias de tensão. Perco-me em dúvidas e questionamentos numa calçada qualquer ao som da recém descoberta, perco-me em imagens e músicas que guiam meu desequilíbrio. Guardo-me sozinha em momentos de angústia para fazer brotar sorrisos quando o importante me aguarda. E no desenrolar de uma vida, indago os propósitos preguiças permanências presente parafraseando o eterno retorno de Nietzsche.
Enquanto mulher me entrego a vida desregrada. Perco tempo e deixo momentos passarem sem que tivessem existido. Sou impulsiva, travessa e descoordenada. Danço em círculos ao som da mesma música. Repetidas vezes. Volto ao passado para sentir o gosto de uma alegria inédita. Experimento sentimentos procurando acertar o tom. Observo, sinto, ajo, reajo e tudo é sempre tão passageiro. A noite num piscar de olhos ao amanhecer. Pensamentos que já e ainda não mais enclausuram minha liberdade. E no passar de uma madrugada, já sou outra. E berro e brigo nas primeiras horas da manhã, dependendo do humor, dos dias que se seguem e do que me espera. Ou não. Sou simplesmente a mesma daqueles momentos que nunca existiram, doce e vulnerável.
Sempre volta outra pessoa.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
o peso de um coração vazio
Porque de repente o mundo parece pequeno, mas não cabe em minhas mãos. As verdades e invenções se confundem na história inventada da vida. E quando as palavras escapam, vêem junto das lágrimas. O excesso é acompanhado pela covardia que o peso trouxe. O mesmo peso que me esmagou durante a noite, que fez meus olhos úmidos e o coração descontente. O mesmo coração que por tão pouco se fecha, mas custa a se abandonar, que se faz de vítima quando está prestes a desmoronar, que sabe de sua escuridão e teme pelo mau tempo. Tempo aquele em que tudo era mais simples e o desconhecido era atrativo ao coração virgem, em que eu ainda não me era, mas alguém melhor, em que nós ainda não éramos e isso representava um mundo de possibilidades de ter. O mesmo mundo que hoje me parece tão pequeno, e insignificante, enquanto me tem sem eu tê-lo.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
mr gaunt
O vento soprava lá fora. As folhas dançavam antes de se estenderem no chão, como se colocadas, uma a uma, diante daquela pintura. O quadro formado entre as divisórias do vidro. Do outro lado, este, só eu. A te imaginar enquanto chovia aqui dentro. As notas não acompanhavam a dor. A música soava estranha aos meus sentimentos. Brincavam de se camuflar em melancolia. Fantasiava-se de sonho. O despertar não seria sentido. A realidade era aquela.
Tentei. Fracassadamente, tentei. Rasguei páginas, piquei-as ao piano. Mas a música continuava a me perseguir, junto à lembrança de dias sem fim. Despi-me de todo pesar. Ele não me teria. Corpo, mente e notas pertenciam, agora, somente às criações. Dediquei-as todas ao novo. Pela mesma janela de vento e folhas, observei enquanto a canção se perdia junto ao frio. Açoitada pela chuva, logo se postou na terra molhada. Do amor que virou lama me restam as cicatrizes e os ecos do passado.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
meu coração impuro
bin & bleib dein
Enquanto pela cabeça eles passeiam, parecem correr a vontade, sem rumo, sem saber o caminho. Em outro tempo qualquer, eles fazem sentido. Vão e voltam, como memórias de um passado distante, como visualizações de um futuro por vir. Se enfrentam pela vitória, pela permanência, pela desculpa do sorriso. Aquele mesmo que vem nos dois tempos, mas que a só um pertence. Aquele que chega sem avisar e fica esperando pela compreensão. E quando ela não vem, se faz de despercebido e desaparece do mesmo modo como surgiu.
Os pensamentos que em algum momento se perdem num texto sem sentido.
sábado, 11 de junho de 2011
qual é a medida do carinho?
Como te deixar livre sem parecer que não me importo? Eu me importo, sempre. Meus pensamentos se remoem e condenam minha bondade demasiada. Os outros me condenam. E o que era simples na minha cabeça, de repente, se transforma em perturbação. Meu dia em câmera lenta, meus minutos que se congelam e eu só consigo pensar no quanto essa situação se desenrola pelo caminho errado. É como um novelo que se desmancha pela minha mente, embaraçando tudo o que encontra e deixando farpas por onde passa.
E eu aceito essa situação por dó, por piedade. Minha consciência pesa por ter causado a alguém aquilo que sempre condenei. Por ter feito aquilo que nunca desejaria que fizessem comigo. Por ter agido de maneira imprevisível, ter ido contra minhas supostas crenças. Sou ré, sou culpada. Sou o sul e sou o norte. Não consegui, não consigo, não conseguirei. Fico feliz por isso. E o martírio me faz continuar tentando corrigir os erros.
Por isso, talvez, aceite a situação e me contente em lidar de forma vaga com meus sentimentos. Para aliviar a carga que assumi e poder te querer em paz. Para mim, só para mim.