quinta-feira, 24 de julho de 2008
ps.
Cantando e dançando ela vivia. Fazia da vida um espetáculo, ao qual paravam para observar e admirar.
Sempre soube seduzir desprentesiosamente seu público.
Sempre soube seduzir.
Eu, seu público.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Do 1º ao 2º
- Hey, opa, como você tá? Tá melhor?
- É, tô melhor sim. Viu, obrigada por ontem, nem tive tempo de agradecer.
- Agradeceu, acho que sim, afinal um beijo é um bom agradecimento, lembra?
- Agradeci? Não! Foi você quem me beijou.
- Achei que tivesse sido ao contrário, ou você quisesse. Não pareceu só um agradecimento. Enfim, você me beijou.
- Como assim? Tem certeza? Me desculpa.
- Não precisa se desculpar. Eu gostei.
- Gostou?
- Gostei. Eu sentia que havia algo diferente entre nós dois.
- Eu também. Sabe, não queria que fosse naquela situação, mas... é que eu gosto de você, me sinto bem com você.
- Mas você me deixava em dúvida. Tantas reações indecifráveis. Verdade, é?
- Juro, é sério!
- Talvez eu esperasse pelo beijo. Certamente eu o queria tanto quanto você.
- Ué, mas porque não me disse antes?
- Porque viver dizendo tudo?
- Porque não tomou uma atitude?
- Coragem. Falta dela. Ou medo. Ou qualquer coisa que viria junto com a coragem.
- Pfff, coragem? Não vem com essa, todos usam a mesma desculpa.
- Porque essa cara? Não gostou da realidade?
- Claro, fiquei decepcionada.
- Espera, vamos consertar e lembrar depois?
- Como assim consertar?
Complementando o texto original. Diálogo montado em parceria com ela.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
ilusões
E durante a noite a gente se esquece. As dúvidas, a indecisão, a fraqueza, a tristeza. Só volto a te enxergar na manhã seguinte, quando meus olhos alcançam os seus, quando seu sorriso me faz sorrir, quando a realidade ainda parece sonho, quando o sonho se torna real. O dia recomeça e tudo desaparece, assim só vejo o que quero ver.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
epílogo reeditado: farsa
Porque depois que você se foi, só restou o frio. Que adentrou o corpo e cristalizou o coração. Como pedra, já não mais sentia. Só o êxtase que você me causou foi capaz de reavivar o batimento. Então, tudo se tornou mais claro. Não foi simples aceitar o fato de que não deveríamos ser, um. Passei noites mal dormidas pensando
Quando a claridade chegasse, seria, novamente, só eu. Do mesmo modo de sempre, com os sonhos ousando me desacreditar. Você não apareceria, e eu voltaria a crer que a vida era só isso. Eu preferia desse jeito, pois já não sabia como te olhar, como te encarar e não lembrar da minha mentira, dos seus toques, não me lembrar de tudo o que tínhamos vivido, e que agora nada mais existia, nunca existiu. Eu me fazia iludir e me decepcionava quando percebia que o sonhar era falso. Eu me enganava vivendo o que nunca aconteceria e, ainda assim, me decepcionava com o não-acontecer.
domingo, 18 de maio de 2008
fingidor
(A fez entender que cumplicidade pode vir além da amizade, que atenção e carinho podem não dar nojo e que contato demasiado as vezes se faz necessário.
Seu corpo pedia os toques e lábios. O abraço a preenchia e os olhos fechavam instintivamente, buscando sentir melhor. O planejar das horas se tornava incoerente e os minutos corriam e competiam com a vontade de reaver o tédio ao seu lado.
No entanto...
... deixou cicatrizes no caminho que fugiu da retiliniedade, desfez certezas, abalou a confiança. Enganou-se pensando que a confusão lhe pertencia: ela compartilhou do mesmo mal. Os estilhaços incomodaram e, a ela, que não é poeta, nem sabe fingir, só restou a dor.)
quarta-feira, 7 de maio de 2008
p&b
Passei a manhã remoendo as lembranças anteriores. A briga, os gritos, o amor, a partida. Só então percebi a tristeza do anoitecer sem você, da cama sem seus toques, dos suspiros sem sua voz. A tarde me enganou, pensei ter vivido um dia noturno.
Hoje o sol se escondeu de mim. Você levou a luz junto com minha sanidade. Rodeada pela noite, esperei-a chegar. Como se ao abrir a porta do apartamento apagado, pudesse enxergar o brilho do seu olhar. E tudo voltasse a ser como antes, claro.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
não eu.
Saiba que a proteção me enfraquece, mas falta coragem para usar a voz. São frases inteiras, textos prontos, tudo prestes a ser cuspido, pois já não suporto mais o gosto amargo de palavras tão doces. Foi assim que as planejei, doces, e em certo momento elas se perderem em meu calar, se recuaram em minha cabeça, escolhendo atormentar o presente com lembranças de cenas inexistentes.
Aguarde, meu querido. O tempo há de vir, as palavras chegarão. Me livrarei da covardia e te entregarei o que é teu por direito, as farei mais belas que nunca. Meus sentimentos, minhas palavras, minha inspiração, meu você.