e é nesse estado que chego até você. com os olhos dormentes negando ver o que haviam enxergado. você não percebe o quanto me magoa com seus atos vazios, suas palavras inexpressivas e essa cara de cão sem dono. é sempre do mesmo jeito, as cenas se repetem num circuito sem fim. sempre chegamos a este momento, no qual eu falo e você se cala frente a culpa que te atormenta e que só diante do meu discurso você é capaz de perceber. será sempre tão dificil entender o óbvio? pois é assim que você justifica seus erros a cada fuga. tua culpa me persegue, meu erro não me deixa em paz, minhas pernas tremem e na tentativa de me manter estável vou de joelhos ao chão. desço um pouco a cada perdão. limito meus atos a cada instante em que vou contra minhas crenças. você me faz assim. me escuta, pois essa talvez seja sua última cartada. essa talvez seja sua última chance. não, não de me ter, pois de mim você nunca mais receberá nada. não terá perdão, essas são suas últimas palavras. o sentimento que existia criou vergonha e se escondeu junto às lembranças que um dia me fizeram tão mal. tudo enterrado frente ao túmulo que você mesmo cavou. me livrei de você. mas escuta bem, pois essa é a última chance que você tem de me ouvir e desaparecer como o homem que eu pensei conhecer. se levanta, me olha nos olhos, vire-se e saia. esqueça que esse apartamento existe, que aqui o amor foi vivido, sonhos realizados e um futuro planejado. não procure vestígios em nosso passado, não me procure em seu decorrer, decadente. e a cada vez que errar, lembre-se que sua chance foi descartada. que o homem morre agora e em você só sobra a piedade de uma vida a viver. boa sorte.
(dor)mente
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
there's nothing left inside to rearrange
nossas línguas são diferentes, não nos encaixamos. você fala e suas palavras parecem simplesmente não fazer sentido em minha cabeça. eu me forço a te escutar e nada daquilo pode ser entendido. eu olho para a tv em busca de alguma compreensão, as legendas somem diante dos meus olhos. palavras não formam frases e você continua movimentando a boca. abro os livros em busca de explicações, as letras se embaralham, perco meu rumo e minha direção. minha memória parece se dissolver. nomes e números se apagam e na tentativa de guardá-los me volto ao passado, às minhas memórias mais significativas. lembro repetidamente delas para que nao sejam esquecida em segundos. o desespero toma conta de mim, eu choro compulsivamente e você continua lá, falando. eu só quero poder construir meu hoje, sem que ele se perca amanhã.
domingo, 2 de agosto de 2009
want to feel your touch
eu preciso mudar. mudar de mim. mudar de pele. minhas decisões são insatisfatórias. como tomá-las de maneira diferente? se aproxime, quero saber de você, quero te sentir, sem que isso seja errado. sem que minha cabeça me mande parar. sem que eu ache tudo perca de tempo. pare de funcionar, me deixe em paz. venha e me faça querer enquanto eu ignoro suas palavras. aja, faca o inevitável, o impensável, me domine. faça a cabeça parar, silencie a mente e aja.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
directions I could understand
não me deixe aqui passando o tempo com minha mente. sem meus parâmetros me perco. gostaria de saber por onde começar, como desenroscar os pensamentos e dúvidas que afogam minha capacidade de raciocinar. o quão estúpida fui ao pensar que tudo se resolveria com o meu silêncio e você seria capaz de me fazer melhor, estúpido. gastei minhas forças e tempo na tentativa de te fazer entender. querendo que a falta de palavras e as lágrimas em meu rosto consertassem algo ou ao menos te fizessem entender que nem tudo está perfeito. que o seu bom é o meu nada. que o que tenho não me é suficiente. e meu provedor, você, esta faltando com suas obrigações, desqualificado, inoperante, ignorante, estúpido. mas, não sei onde começar. não me deixe aqui, não tenho a quem perguntar.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
this ain't no singing in the rain
você corre e se esconde, mas preste atenção, ninguém irá te ver quando a ajuda for necessária, quando sua juventude te abandonar. você poderá gritar aos quatro ventos, nem anjos nem demônios te ouvirão. você precisará cair para que seja capaz de levantar sozinho. e todos deixarão que isso aconteça. todos estão cheios de você e do seu típico modo de resolver os problemas. aliás, do seu suicídio não ousarão falar. sobre a sua incapacidade nem todos vão discutir. a sua ignorância muitos irão dizer não conhecer. só quem te vê de perto sabe o quão frágil você pode ser. ninguém aqui parece te conhecer. você não achará amigos e correrá para mim quando seu fim estiver chegando e eu decretar que assim será. vagarosamente você morre em meu braços e sorrindo eu te vejo afundar. nos meus braços.
this memory will fade away and die
por quantas vezes conseguirei fazer o caminho de ida e volta e carregar o peso pela sua falta de atitude? você me vê andando e continua se negando a acreditar que tudo seja culpa do hoje e eu nego te dizer adeus. por quantas vezes terei que evitar olhar em seus olhos enquanto você não for embora? você nem ao menos tentou entrar em minha mente, entender meus sinais, minhas atitudes, me entender. e agora eu conto as vezes que poderia ter só te observado partir, sem interferir. só agora posso te olhar nos olhos, feliz com a sua partida.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
for what it’s worth
quis te contar que não sou de vidro, que a proteção abusiva limitava meu sentimento, que qualquer ação sua a meu favor me desagradava. pois eu não quebro.
tentei te avisar para não podar minhas asas, para não danificar minha rotina, para não prejudicar meu livre viver. pois não sou domável.
busquei respostas no seu olhar, palavras no seu silêncio e sonhos em nossa realidade, mas nada pude achar. pois as vezes preciso de obviedade para crer.
me observei refletida frente ao metrô em movimento, horas com e sem cabeça. a imagem interna de encontro ao vidro. há dias que os pensamentos me dão trégua, em outros a guerra me perturba, fere a lucidez e me deixa a vagar entre achismos.
o fim nunca me pertenceu. a lógica se desfaz ao longo do que seria um texto. se houve sentido, hoje só restam palavras não pronunciadas. tudo novamente preso entre medo e insegurança. esperando o momento em que a inspiração deixará de ser fato para se tornar imaginação.
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