Foi durante a música dos outros e a dança dos meus que te vi. Passou desapercebido e reto com aquele sorriso de invejar quem observa e encantar a mim. Sumiu na multidão e me deixou procurando novos rostos que fizessem os olhos brilhar. Com as amigas eu comentei, discutimos os encontros, desencontros e dúvidas quanto aos amores fixos e passageiros. Aqueles que passam em dias, esses que passam por segundo. E então você voltou.
Entre as direções erradas o cruzamento foi inevitável. Apesar dos momentos passados, me pegou de surpresa, era você novamente. Ainda rodeada, não quis se aproximar, mas o medo cedeu aos olhares e com sorrisos e mãos me tirou para dançar. A tal dança que não sabíamos e que nos deu mais motivo para decifrar vozes, entender contornos e realçar a cumplicidade. No início você me encantou pelas expressões e depois arrematou com as frases e palavras encaixadas às minhas expectativas. Os braços e abraços e toques.
A música continuava a tocar, mas, na minha dança, eu só te ouvia.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
geek
Fazia sol e ela tinha ido ao parque. A leitura estava quase no fim, e queria terminá-la como a personagem, com a cabeça livre dos problemas já resolvidos. Não seria tão simples, pois seus problemas só a deixavam em paz entre a primeira e a última página. Foi ali sentada que, de repente, despretensiosamente, o conheceu, num tropeço.
- Oi, desculpa, tô com pressa... você sabe onde fica a rua Mário Antônio? Não? Me disseram que era por aqui. Aliás, bela camiseta. O que tá escrito? Sweetzerland? Bacana. A praça Marquesa é por aqui? Me disseram que era perto. Minha vó era polonesa, falava algo de alemão. Não, só sei o básico. É, Scheisse e Huresohn. Palavrões? Sério? Desculpa. Que horas são? Acho que tô perdido. Esqueci de oferecer, coca? Dia bonito. Posso sentar? Era, uma entrevista. Designer. De internet, sim. Que rua é aquela? Mas você não é daqui? Presumi, ninguém vem de muito longe para ler no parque. O que é? Eu gosto de Johannes Vermeer. Um romance, sério? A Holanda deve ser fabulosa. Prefiro lírios ... É, vou tentar me encontrar. Um prazer, tchau.
- Oi. Sim, voltei. Sei lá, eu não queria ir embora. Seu sorriso me faz bem.
Ela ainda não sabia, mas seu livro terminaria com os mesmos problemas. No entanto, um final feliz a aguardava.
happy valentine's day, meus amores.
=*
- Oi, desculpa, tô com pressa... você sabe onde fica a rua Mário Antônio? Não? Me disseram que era por aqui. Aliás, bela camiseta. O que tá escrito? Sweetzerland? Bacana. A praça Marquesa é por aqui? Me disseram que era perto. Minha vó era polonesa, falava algo de alemão. Não, só sei o básico. É, Scheisse e Huresohn. Palavrões? Sério? Desculpa. Que horas são? Acho que tô perdido. Esqueci de oferecer, coca? Dia bonito. Posso sentar? Era, uma entrevista. Designer. De internet, sim. Que rua é aquela? Mas você não é daqui? Presumi, ninguém vem de muito longe para ler no parque. O que é? Eu gosto de Johannes Vermeer. Um romance, sério? A Holanda deve ser fabulosa. Prefiro lírios ... É, vou tentar me encontrar. Um prazer, tchau.
- Oi. Sim, voltei. Sei lá, eu não queria ir embora. Seu sorriso me faz bem.
Ela ainda não sabia, mas seu livro terminaria com os mesmos problemas. No entanto, um final feliz a aguardava.
happy valentine's day, meus amores.
=*
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
impressões
Você mexe com minha cabeça e quando penso que a situação se estabilizou, que os sentimentos atingiram um nível menos intenso e o corpo deixou de controlar as vontades, você reaparece e me atordoa o espírito. Então eu coloco todas as certezas em risco e em espera, sabendo que quando você desaparecer novamente só me restará a incompreensão e o telefone mudo.
A insistente presença dele já não é mais confortante e me deixa imaginando que, caso ele sumisse, talvez eu teria coragem de te levar adiante. Mas trato de dissipar as idéias da cabeça, pois sei que as suposições não se tornariam reais, meu medo continua atropelando a espontaneidade.
Encontro outros vários, na tentativa de te fazer menos importante. Converso com um, tão livre de todos os medos que você me causaria. Dou risadas com dois, sempre me surpreendendo com as palavras e lembranças. Penso no três, que, apesar de tão distante quanto você, me ilumina o olhar.
E paro perdida, entre café e estranhos, com a felicidade do que há por fora e a confusão que não cala a mente. Deixo os problemas suspensos e continuo a decorar a superfície com adjetivos.
A insistente presença dele já não é mais confortante e me deixa imaginando que, caso ele sumisse, talvez eu teria coragem de te levar adiante. Mas trato de dissipar as idéias da cabeça, pois sei que as suposições não se tornariam reais, meu medo continua atropelando a espontaneidade.
Encontro outros vários, na tentativa de te fazer menos importante. Converso com um, tão livre de todos os medos que você me causaria. Dou risadas com dois, sempre me surpreendendo com as palavras e lembranças. Penso no três, que, apesar de tão distante quanto você, me ilumina o olhar.
E paro perdida, entre café e estranhos, com a felicidade do que há por fora e a confusão que não cala a mente. Deixo os problemas suspensos e continuo a decorar a superfície com adjetivos.
"...brinquei com a paixão, brinquei com a ternura, brinquei com a ruptura, brinquei com a tristeza. Fiz o máximo na expressão da tristeza, como antes fizera o máximo na aparência da sedução. Às vezes me parece que nada fiz senão dar a aparência das idéias. Mas é de fato a única saída que nos cabe num mundo especulativo sem saída: produzir os signos mais satisfatórios de uma idéia...."
Baudrillard
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
confete e serpentina
Tudo começou com as unhas pintadas, a correria para arrumas as malas, o jantar discutido e enfim finalizado. Depois vieram as alegrias. O primeiro dia de sol e a parceria na beira da piscina, os mergulhos, as histórias, os cigarros, o almoço. Presença confirmada, desembarque na rodoviária, time completo. A noite chegou com as marchinhas de carnaval, pulos e danças, a indignação da presença masculina e as escapadas estratégicas, lucrativas, diga-se de passagem. Teve a, b, c e piracicaba, entre outros. Sentada na guia e fazendo companhia à amiga. O vestido a la monroe foi detalhe, mas o culpado não foi o vento. Discussões sobre a retirada e o cansaço. Conversas no portão e o término do que se iniciaria no dia seguinte
Outra manhã de sol, a aspirina salvou a dor de cabeça. O calor evitado, mergulhos e brincadeiras na piscina. Jogos de carta entre presidentes. Pizzas e maquiagem, a hora havia chegado, era novamente carnaval. Tudo planejado, paradas e voltas femininas, ela não quis, ficou com eles e fez certa falta. Vódega pra geral, e não esquece do extra. Oi, você ai. Tchau, carnaval é da mulherada, sinto muito beibe. De volta, deixa ele pro final. Cansaço repentino, outro portão, ele. A música sertaneja no carro, a madrugada insistindo em acabar. Mil discussões na beira da piscina, uma salva, a outra jogada sem culpa.
O novo dia, da beleza, unhas, cabelos. O vôlei na piscina à espera da última noite. E a música, as piriguetes, o creu e todos os nomes ridículos inventados para noites de carnavais que nos fazem rir e dançar. Mais voltas e sarjetas. Visagistas, bichas e menores de idade, reunidos em muitos ou uma só pessoa. Risadas confidentes, comentários e olhares cúmplices. Fofocas no banheiro da madrugada lavando os pés, ou inventado de colocar meia para não sujar os lençóis. A cabeça dói.
Último dia, da balada ao descanso. O cochilo a tarde e a dúvida de uma quarta noitada, que não aconteceu, pois o carnaval já acabara. E o que restou foram algumas horas de sono, um futuro dia de trabalho e o sorriso da semana.
Outra manhã de sol, a aspirina salvou a dor de cabeça. O calor evitado, mergulhos e brincadeiras na piscina. Jogos de carta entre presidentes. Pizzas e maquiagem, a hora havia chegado, era novamente carnaval. Tudo planejado, paradas e voltas femininas, ela não quis, ficou com eles e fez certa falta. Vódega pra geral, e não esquece do extra. Oi, você ai. Tchau, carnaval é da mulherada, sinto muito beibe. De volta, deixa ele pro final. Cansaço repentino, outro portão, ele. A música sertaneja no carro, a madrugada insistindo em acabar. Mil discussões na beira da piscina, uma salva, a outra jogada sem culpa.
O novo dia, da beleza, unhas, cabelos. O vôlei na piscina à espera da última noite. E a música, as piriguetes, o creu e todos os nomes ridículos inventados para noites de carnavais que nos fazem rir e dançar. Mais voltas e sarjetas. Visagistas, bichas e menores de idade, reunidos em muitos ou uma só pessoa. Risadas confidentes, comentários e olhares cúmplices. Fofocas no banheiro da madrugada lavando os pés, ou inventado de colocar meia para não sujar os lençóis. A cabeça dói.
Último dia, da balada ao descanso. O cochilo a tarde e a dúvida de uma quarta noitada, que não aconteceu, pois o carnaval já acabara. E o que restou foram algumas horas de sono, um futuro dia de trabalho e o sorriso da semana.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
"você é dificil, porque tem que ser controlada, sem tirarem sua liberdade. você tem que se sentir livre, ou sentir tanto que a liberdade nao importe mais."
ela =*
ela =*
E é o fim
E por que a falta de perfeição? Eu pedi que você viesse com os defeitos certos, daqueles que eu tolero e ainda acho bacana. Mas não foi o que aconteceu e agora me vejo perdida como sempre, lutando para não me envolver e desiludindo minhas vontades de te ver. Seria mais fácil se não tivesse havido nada, mais fácil e tedioso. Eu ajudei a fazer acontecer e agora meu pé não larga o passo atrás, se posiciona sempre esperando eu estragar tudo novamente.
Foi você, você e você, e ontem pensava o porquê de eu não ter seguido em frente, deixado tudo acontecer naturalmente. Essa vontade louca de não me ver presa a ninguém me fode.
Que pelo menos seja a alguém sem esses defeitos que fazem minha cabeça pesar. Você poderia decidir tudo por mim. Talvez seja isso: alguém que decida por mim, que não me deixe escapar ao primeiro sinal de desencantamento. Use e abuse do seu poder sobre mim.
Quem sabe.
Foi você, você e você, e ontem pensava o porquê de eu não ter seguido em frente, deixado tudo acontecer naturalmente. Essa vontade louca de não me ver presa a ninguém me fode.
Que pelo menos seja a alguém sem esses defeitos que fazem minha cabeça pesar. Você poderia decidir tudo por mim. Talvez seja isso: alguém que decida por mim, que não me deixe escapar ao primeiro sinal de desencantamento. Use e abuse do seu poder sobre mim.
Quem sabe.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
versões
assim:
Há um tempo tudo parece mudado. Sua pele já não me toca, e, quando isso ocorre, os arrepios e borboletas parecem vir somente das lembranças do início. Ficou tudo retido no plano de minha imaginação: o encontro, as palavras trocadas, o primeiro beijo, a paixão, a vida à dois. Hoje, ouso dizer que não é mais o protagonista dos sonhos. A realidade se fez presente na ilusão e na figura, pois você sempre existiu, o que não, fomos nós.
e assim:
há algum tempo
nada aconteceu
mas foi como
a pele perdeu o toque
e dos arrepios e borboletas
só há lembrança
a imaginação se encarregou
de fazer valer o sonhado
mas já não é você
ao meu lado, ainda
de realidade planejada
só as ilusões eram verdade
existiu um você
mas nunca nós
Há um tempo tudo parece mudado. Sua pele já não me toca, e, quando isso ocorre, os arrepios e borboletas parecem vir somente das lembranças do início. Ficou tudo retido no plano de minha imaginação: o encontro, as palavras trocadas, o primeiro beijo, a paixão, a vida à dois. Hoje, ouso dizer que não é mais o protagonista dos sonhos. A realidade se fez presente na ilusão e na figura, pois você sempre existiu, o que não, fomos nós.
e assim:
há algum tempo
nada aconteceu
mas foi como
a pele perdeu o toque
e dos arrepios e borboletas
só há lembrança
a imaginação se encarregou
de fazer valer o sonhado
mas já não é você
ao meu lado, ainda
de realidade planejada
só as ilusões eram verdade
existiu um você
mas nunca nós
Assinar:
Postagens (Atom)